MENSAGEM DA CRUZ

MENSAGEM DA CRUZ
ESPAÇO LITERARIO SOBRE A MENSAGEM DA CRUZ :

quarta-feira, 20 de maio de 2026

DEZ ANOS NO PAVILHÃO DO INFERNO - LIVRO ON-LINE GRATUITO: SOU FILHO DA ESPERANÇA!!! HISTÓRIA: MEU PAI SOBREVIVEU AO HOLOCAUSTO BRASILEIRO – POR OSWALDO DE SOUZA ESCRITOR, HISTORIADOR E PESQUISADOR BÍBLICO!!!


PRISÃO E CAMISA DE FORÇA:

Em uma manhã de verão quente de mil novecentos e quarenta e quatro; José Oswaldo apelidado de major levanta cedo, prepara os cavacos do velho fogão de lenha. Vai ate ao poço de água.  Tirando água no balde amarrado a corda presa à carretilha e sua rodinha. Preparou o café na velha cafeteira e foi cuidar dos animais. Quando lá pelas nove horas da manhã chega em casa quatro homens que cumprimentam meu pai e conversam. Pede para meu pai mostrar o quintal e ver os animais, a vara de porcos. E novamente voltam para o casebre de chão batido e pau a pique.

Sentam fazem algumas perguntas e de repente sem mais nem menos, usando de grande violência colocam a camisa de força; Camisa de força ou colete de força é uma camisa que se amarra atrás, sem mangas, com cadeado às vezes. E é usado para pacientes do hospício e por modelos. Na era vitoriana era um instrumento de tortura. E amarrado, aprisionado um homem simples que foi candeeiro de boi, sertanejo da roça e levado como um criminoso para o que era chamado o trem de doido...

Depois de muitos pedidos quero repassar esta triste historia da colônia de Barbacena também chamado de holocausto Brasileiro, lugar onde meu pai sobreviveu por dez anos, de 1944; Saindo do pavilhão chamado porão ou pavilhão do inferno em 1954, em 1955 um ano depois eu nasci sendo criado e educado pelo melhor pai do mundo José Oswaldo de Souza “o Major”, posso ser denominado do filho da esperança, pois depois destas torturas que não foi pelos militares e sim por um governo civil...

O TREM DE DOIDO:

A estação de Bia Fortes era a última parada dos deserdados sociais. Vinha no denominado “trem de doido”. Assemelhavam-se aos judeus levados, na Segunda Guerra Mundial, para os campos de concentração. Ao entrarem no “trem de louco”, os passageiros tinham a humanidade confiscada. Eram tratados como animais selvagens que deveriam serem castigados e enjaulados nos pavilhões da morte e do inferno.

PRIMEIRO CONSTRANGIMENTO:

Ao desembarcarem no manicômio eram separados por sexo e desprovidos de suas roupas, pelados e nus recebiam jatos forte de água fria, geladas. Esse era o primeiro constrangimento. Depois passavam por um banho coletivo e mangueira e recebiam o uniforme. Depois, eram separados por pavilhões de acordo com as suas características e capacidade de trabalho.

REBATIZAMENTOS:

Sem documentos, eram rebatizados pelos funcionários. O tratamento não era especializado e havia poucos psiquiatras trabalhando. Postos de trabalho eram trocados por votos dados aos coronéis de Barbacena. O hospital era um grande curral eleitoral com suas vendas de prestigio e silencio esta era a chamada lei do silencio o que acontecia nos pavilhões morriam nos pavilhões; Inclusive pessoas esquecidas ali pela sociedade da época. Era terminantemente proibidas as visitas.

HISTORIA DE GERALDA:

Uma das mais tristes historia deste capitulo trágico e funesto de uma era de trevas no Brasil, em um lugar onde os Hitlerianos; “discípulos de Hitler” faziam suas vitimas. Geralda Siqueira Santiago Pereira, sessenta e dois anos. Aos quinze anos, ela deu à luz João dentro do hospital Colônia de Barbacena. Interná-la foi à alternativa encontrada pelo patrão que a estuprara e não queria assumir o filho. Depois do estupro, logo a gravidez foi descoberta e familiares do patrão começaram a articular uma saída. A mais fácil foi mandar a gestante para longe, para um local de onde não pudesse mais sair.

Foi levada ao holocausto por duas freiras católicas amigas da família. Na entrada do seu pavilhão já deparou com mulheres nuas pisando descalças no chão coberto de fezes. Este era o seu novo “lar”. No primeiro dia, mesmo grávida, tomou um eletrochoque para “amansar”. João Bosco nasceu em 21 de outubro de 1966. Dois anos depois, Geralda recebeu alta, mas não pôde levar a criança.

ÉPOCA DA CHAMADA ERA DE VARGAS:

Nesta época chamada Era Vargas foi o período da história do Brasil entre 1930 e 1945, quando Getúlio Vargas governou o Brasil por 15 anos e de forma contínua. Compreende a Segunda República e a Terceira República (Estado Novo). Essa época foi um divisor de águas na história brasileira, por causa das inúmeras alterações que Vargas fez no país, tanto sociais quanto econômicas.

A Revolução de 1930 marcou o fim da República Velha (com a deposição do presidente Washington Luís; a revogação da constituição de 1891, com o objetivo de estabelecer de uma nova ordem constitucional; a dissolução do Congresso Nacional; intervenção federal em governos estaduais e alteração do cenário político, com a supressão da hegemonia até então apreciada por oligarquias agrárias de São Paulo e Minas Gerais) e sinaliza o início da Era Vargas (tendo em conta que, após o triunfo da revolução, uma junta militar provisória cedeu o poder a Vargas, reconhecido como o líder do movimento revolucionário).

A Era Vargas foi composta por três fases sucessivas: o período do Governo Provisório (1930–1934), quando Vargas governou por decreto como Chefe do Governo Provisório, cargo instituído pela Revolução, enquanto se aguarda a adoção de uma nova constituição para o país, o período da constituição de 1934 (quando, na sequência da aprovação da nova constituição pela Assembleia Constituinte de 1933-1934, Vargas foi eleita pela assembleia ao abrigo das disposições transitórias da constituição como presidente, ao lado de um poder legislativo democraticamente eleito) e o período do Estado Novo (1937-1945), que começa quando Vargas impõe uma nova constituição, em um golpe de Estado autoritário, e dilui o congresso, assumindo poderes ditatoriais com o objetivo de perpetuar seu governo.

A deposição de Getúlio Vargas, do seu regime do Estado Novo em 1945 e a posterior redemocratização do país, com a adoção de uma nova constituição em 1946 marca o fim da Era Vargas e o início do período conhecido como Quarta República Brasileira. Posteriormente, Vargas ainda voltaria à Presidência da República, eleito por voto direto, e governaria o Brasil por três anos e meio: de 31 de janeiro de 1951 até 24 de agosto de 1954, quando se suicidou, com um tiro no coração, em seu quarto, no Palácio do Catete, na cidade do Rio de Janeiro, então capital federal.

MEU PAI “O MAJOR” SOBREVIVEU AO HOLOCAUSTO:

10 longos anos internado no holocausto brasileiro: Podemos dizer que quando nasci foi como um alento na família Souza, pois meu pai recém-saído do hospital de Barbacena onde viveu por muitos anos (10 anos) em um lugar chamado como a; Sucursal do inferno, depósito de lixo humano, porão da loucura. As expressões são usadas para tentar definir o Hospício de Barbacena, conhecido como Colônia, e dão a dimensão da barbárie cometida no maior sanatório do Brasil, do início do século XX até os anos 80. As crueldades relatadas no livro Holocausto Brasileiro (Geração Editorial, 39,90 reais), porém, vão além...

Lembro quando criança eu cresci mediante ao grande silencio na família que procurava esconder e não comentar as barbaridades vividas pelo meu pai José Oswaldo de Souza conhecido como o major um homem tranquilo amoroso e com momentos de mudanças de comportamento, entre a calmaria de espirito com uma sanidade cruel, meu pai tinha um que hoje eu defino como excesso de proteção aos filhos onde ele entrava no quarto com meus irmãos e não deixava ninguém entrar com um extinto de proteção quase a beira de uma loucura...

Minha irmã Zélia ainda pequena contava algumas lembranças do dia que (vou usar a palavra capturar, pois foi tratado como um animal não como alguém que precisava de ajuda) capturaram, aprisionaram meu pai amarrado como se fosse um animal e levaram para o hospital conhecido com suas barbaridades e torturas entre remédios fortíssimos e choques elétricos inclusive em sua cabeça, esbugalhando seus olhos...

TORTURAS E EXPERIMENTOS:

Vivendo por longos 10 anos as torturas aos experimentos de drogas que eram testadas nos pacientes, e você me pergunta como em um índice de mortes tão grande seu pai saiu de lá vivo e apto para novamente viver na sociedade? Como apesar das terríveis lembranças não reveladas no silencio de um olhar triste e meigo? Um pai amoroso, trabalhador que me cercou de carinho, como sobreviveu no chamado holocausto brasileiro?

Eu te respondo um milagre que me trouxe a existência onde Deus em sua infinita bondade me deu como presente ao melhor pai do mundo. Meu pai homem gentil e companheiro, chegado ao carteado, musico por excelência com sua sanfona de oito baixas. Por fui cercado de carinho, pois tudo aquilo que foi negado ao meu pai recebi em dobro de sua atenção e carinho!!!

RELATOS E FATOS DO HOSPITAL DA MORTE:

Relato de alguns fatos do hospital de loucos da cidade de Barbacena; A obra da jornalista mineira Daniela Arbex, conta assombrosas histórias de pessoas que morreram ali - Foram cerca de 60000 ao longo de oito décadas, segundo o governo estadual, com base nos registros do hospital - Ou que sobreviveram em condições desumanas. Inaugurado em 1903, o Colônia foi o primeiro hospício de Minas Gerais, instalado no município a 169 quilômetros da capital, na Serra da Mantiqueira...

Seu funcionamento, no entanto, se assemelhava mais ao de um campo de concentração. Na década de 30, o hospital abrigava 25 vezes mais internos que sua capacidade permitia. Para driblar a superlotação, a direção substituiu camas por capim, que ocupava menos espaço. Por falta de roupas, muitas pessoas circulavam nuas. A comida era escassa e da pior qualidade. Os filhos das internas eram entregues, sem autorização, para adoção por outras famílias. Durante a década de 70, os corpos dos mortos eram vendidos às faculdades de medicina do estado...

E para fazer o maldito dinheiro havia mortes por encomendas, onde as pessoas indesejadas na sociedade tinham seus passaportes somente de ida, pois o próximo destino era os sacos com seus corpos mutilados e maltratados. O preço das vidas era referente ao que se pagavam no mercado da época um valos restrito e impiedoso, valiam mais mortos do que vivos esta era a questão!!!

OBS: Meu pai viveu entre as sanidades em meio às barbaridades e holocausto, tristezas e dores no porão dos loucos por cerca de; 3650 dias longe da família, jogado e abandonado pela sociedade sofrendo as barbáries e insanidades humanas.

A VELHA SANFONA DE OITO BAIXAS:

Esta vendo aquele homem? Com um olhar triste fixado no horizonte com os lombos encurvados pelo cansaço da vida e lida, andar lento com passos arrastados de quem já sofreu e trabalhou incessantemente pelo pão de cada dia. Uma voz de taquara rachada, embaçada e rouca que tanto me ensinou o caminho certo a seguir, tantas historias contadas aos longos dos anos onde eu deitava em seu colo com um olhar feliz e deslumbrado com suas estórias de reis e príncipes...

Agora ele pega a velha sanfona e toca divinamente naquele pequeno e surrado instrumento a velha de oito baixas que expressavam às tristezas e amarguras do velho Jeca, sua musica preferida chamava-se saudade do matão e o som com harmonia e graça enchia todo o nosso quarto, meu olhar de orgulho e admiração mirava naquele rosto cheio de rugas que escrevia em seu rosto uma vida de lutas e sofrimento, agora o velho sanfoneiro com seus olhos rasos d’água tocava as teclas pequenas do instrumento para contar suas magoas e saudades...

Aquele homem valoroso de mãos calejadas pelo duro trabalho da lida pegava nas horas de folga os velhos guardas chuvas dos vizinhos para consertar e reformar costurando seus panos (tecidos) com aquela calma que lhe era peculiar, trocava as varetas, reformava os cabos, trocava os gatilhos e as ponteiras (quando estouravam). De repente não mais que de repente ajeitava o seu velho chapéu de couro dos tempos que candeava boi pelas estradas empoeiradas da roça, meu pai saia para o velho carteado com os amigos...

Sentado ao entardecer ao lado do portão de madeiras a sombra da grande trepadeira com seu sombreado, rosto ansioso nos olhos de criança voltados para a entrada da rua chamada do meio na Fazenda Tapera Alta, de repente surgia aquele homem cansado de mais um dia de labuta carregando seus baldes de soro cheirando a leite, naquele momento eu corria com aquelas pernas pequenas ao encontro daqueles braços entre sorrisos de alegria estendia minha pequenina mão e na mesma hora recebia uma pequena moeda trocada por doces e balas; No bar do Jota. O velho homem estava de volta para lar, distantes em dias remotos...

À noite aquele velho homem ligava seu radio antigo que logo soava o seus sons e chiados de violas e cânticos sertanejos embalando a harmonia da família. O velho lampião de querosene era aceso com seu peculiar isqueiro de pedra e o lampião soltava sua fumaça preta enchendo o cômodo de chão batido com aquele cheiro de óleo. Agora o silencio enchia a casa, as conversas cessavam, pois começava a radionovela que todos amavam e ao som das ondas sonoras do velho radio contava a estória do Jeronimo o herói do sertão que contava as lutas contra o crime do valente sertanejo e seu amigo o fiel Saci. 

Quando terminava o dia a luz do velho lampião era soprada e a escuridão tomava conta novamente do velho casebre de pau a pique que era nosso lar de amor. Esta vendo aquele velho homem sanfoneiro com sua velha sanfona de oito baixas na mão? Este homem é meu pai o meu maior herói!!!

ALEM DOS MUROS DA CIDADE DOS LOUCOS:

Com variedades de histórias, o Estado de Minas apresenta a série “Além dos Muros”, que retrata pacientes que saíram da internação de longo prazo e hoje vivem em sociedade graças a iniciativas da rede substitutiva, implantadas na continuidade da reforma psiquiátrica, na década de 1990. São pacientes que, antes da Lei 10.216, de 2001 – chamada de Lei Paulo Delgado, que definiu a extinção progressiva de manicômios no país, viviam confinados em hospitais, muitas vezes em condições subumanas, como no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), o Hospital Colônia, onde morreram mais de 60 mil pessoas até o fim dos anos 1970.

UM INTERNO FAMOSO HELENO DE FREITAS O GILDA:

Craque, gênio e polêmico. O mineiro Heleno de Freitas foi um dos maiores ídolos do Botafogo e um dos melhores jogadores de todos os tempos do futebol brasileiro, mas nem assim ficou milionário e acabou morrendo em 1959, no dia 08 de novembro, abandonado na casa de saúde São Sebastião, em Barbacena-MG, onde estava internado desde 1954 devido a problemas mentais. Heleno de Freitas nasceu em 1920 em São João Nepomuceno, Minas Gerais. Começou nos juvenis do Fluminense.

Nervoso em campo e boêmio fora dele, Heleno se irritava com o apelido que ganhou: Gilda (personagem da atriz americana Rita Hayworth). Por não suportar a dor da derrota, chegou muitas vezes a discutir com os próprios companheiros, em suma, um profissional com alma de amador. Marcou 204 gols pelo Fogão em 233 jogos. Além do Botafogo, clube que defendeu de 1945 a 1948 e 1950, o centroavante atuou pelo Vasco (1949), Boca Juniors, da Argentina (1951), América do Rio (1951), Atlético Barranquilla (1951 e 52) e Santos (1953). Na carreira, disputou 186 jogos oficiais.

SEUS ÚLTIMOS DIAS DE VIDA:

Na sua brilhante e agitada trajetória, também marcada por diversas expulsões e confusões em campo, Heleno conquistou apenas um título: o Carioca de 1949. Pela seleção brasileira marcou 15 gols e ao todo, na carreira, fez 265. Heleno passou os últimos anos de vida internado em um sanatório. Confira alguns relatos da agonia do ex-centroavante que brilhou no futebol e morreu esquecido.

Trechos retirados do livro "Nunca Houve um Homem como Heleno", escrito pelo jornalista Marcos Eduardo Neves e publicado pela editora Ediouro. Nas dependências da casa da saúde, Heleno tornara-se agressivo, xingava as pessoas à toa. Um dos enfermeiros contaria que, num acesso de demência, chegou a botar quatro cigarros acesos na boca e dois nas narinas. Passou a rasgar as próprias roupas e volta e meia andava nu pela casa.

Em seus últimos dias, Heleno esteve mudo e afásico. Tudo era melancolia, silêncio, tristeza. Agonizava. Suas unhas tornavam-se roxas, em sinal preventivo de que a morte se aproximava. A linguagem do olhar, a mais sincera das linguagens, por seu estado profundo e humano, revela sua dor, sendo todos, ao seu lado, impotentes para reanimá-lo.

Na manhã de 8 de novembro de 1959, um domingo como tantos em que Heleno encantou plateias, o enfermeiro foi levar-lhe o café da manhã e o encontrou morto. Após quatro anos, dez meses e 25 dias de tratamento, os médicos constataram o óbito, aos 39 anos, por paralisia progressiva. Ali morreu um ídolo famoso e conhecido entre tantos desconhecidos que tiveram o mesmo destino a morte silenciosa e na solitária...

A VIAGEM DOS EXCLUÍDOS:

Na estação um trem com muitos passageiros: Faziam uma viagem sem volta, meu pai a mais de 60 anos atrás desembarcou no chamado trem de doido, para o lugar chamado hoje pelo nome de holocausto brasileiro com mais de sessenta mil mortos e esquecidos por todos inclusive alguns que foram excluídos na memoria de seus parentes.

FICA O REGISTRO DE ALGUNS RELATOS:

ESCULTORA FRANCESA CAMILLE CLAUDEL: Em 1913, a escultora francesa Camille Claudel, 49 anos, foi internada em um manicômio por sua família após uma crise na qual quebrou suas obras. Camille foi diagnosticada com paranoia, apresentava delírios nos quais se sentia perseguida, achava que seu ex-amante, o escultor Auguste Rodin, roubaria suas esculturas e tinha pensamentos suicidas.

A escultora passou por dois manicômios nos últimos 30 anos de sua vida e somente “libertou-se” do cárcere aos 78 anos, quando, ainda interna, morreu de fome, em 1943, como aconteceu com muitos pacientes por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Assim como a escultora francesa Camille Claudel, 60.000 morreram no Brasil no lugar chamado holocausto brasileiro, morreram inclusive muitos de fome...

RELATO DO CABO ANTONIO:

Antônio Gomes da Silva, atualmente com sessenta e oito anos, um dos sobreviventes do hospital. - Ele conta; Recordava-se sempre do início das sessões, quando era segurado pelas mãos e pelos pés para que fosse amarrado ao leito. Os gritos de medo eram calados pela borracha colocada à força entre os lábios, única maneira de garantir que não tivesse a língua cortada durante as descargas elétricas.

O que acontecia após o choque o Cabo não sabia. Perdia a consciência, quando o castigo lhe era aplicado. O colega Antônio da Silva, o Toninho, lembra bem o que acontecia depois que o aparelho era ligado. Ele via os companheiros estrebucharem quase como se os olhos saltassem da face. Tamanha era a crueldade destes castigos a homens trabalhadores e honesto com síndromes que seriam facilmente diagnosticadas e tratadas, mas a indústria da morte e dos experimentos não podia parar e precisavam de matéria prima que era os humanos pobres e infelizes!!!

MULHERES NUAS CLAMAVAM POR SOCORRO:

Mulheres nuas presas as janelas no hospital colônia, acena atrás de grades como se estivessem clamando por ajuda sem serem atendidas. Vivendo suas vidas privativas e entorpecidas pelos experimentos de dosagens medicinais que muitas chegavam a matar ate chegar a denominador comum. As mortes aconteciam por fome, frio, doenças e até por eletrochoques. A alimentação era precária. O aspecto da comida era tão repugnante que o psiquiatra e psicanalista Francisco Paes Barreto ao conhecer o hospital em 1965, quando faria uma pesquisa, perguntou ao cozinheiro:

“Ué! Vocês criam porcos aqui?” “Não. Isso aqui é a comida dos pacientes”. Por causa da fome os pacientes comiam ratos e bebiam água do esgoto, que ficava aberto no pátio do hospital, e urina. As crianças internas bebiam leite até vomitarem, no dia que este era servido. A Colônia também lucrava com a venda de cadáveres para os cursos de Medicina. Entre 1969 e 1980 foram vendidos 1.823 corpos, sem autorização dos familiares das vítimas...

A SUCURSAL DO INFERNO OU PORÃO DA LOUCURA:

O resgaste de uma historia: quem vai pagar por isto, pelo sofrimento de meu pai, minha mãe e meus irmãos? Parte do livro da minha vida que conta a historia de meu pai José Oswaldo de Souza, o Major que viveu por longos dez anos em um lugar chamado a sucursal do inferno ou porão da loucura, que transformou uma síndrome simples em um tormento sem fim.

Momentos da historia de nossa família pacata e humilde transformando meu pai de um pacato trabalhador que gostava de criar animais em um louco encarcerado e sendo tratado de maneira sórdida, com experimentos de remédios que trouxe a morte a muitos e torturas com choques elétricos a um homem que o único crime era ser trabalhador e honesto e pai de família exemplar...

Um ano antes de meu nascimento todo aquele sofrimento estava para acabar, uma injeção proposta por um dos médicos caríssima onde minha mãe uma humilde mulher que vivia e criava os filhos com as roupas que lavava que deu a luz a doze filhos e criou uma sobrinha, minha querida irmã de criação Geni que eu amava muito (falecida em acidente de carro aos 23 anos) aonde dos doze filhos somente seis chegou a sobreviver...

Dona Nivalda uma mulher coragem e espelho de minha vida, descendente indígena pobre que era na roça colhedora de café que derriçava na mão que ficava ferida e em carne viva com os cortes abertos, humilha-se pedindo a ajuda financeira a familiares e amigos para pagar aquele experimento que poderia por certo trazer o óbito ao meu querido e amoroso pai, que naquele momento o experimento graças a deus deu certo. Recebeu alta da colônia sendo um dos poucos de seu pavilhão a sair com vida, sobrevivendo e retornando para nossa casa com uma vida seminormal entre lucidez e devaneios...

Atendendo ha muitos pedidos de amigos e irmãos sobre o caso do manicômio de Barbacena, onde parte de um livro com o titulo de “holocausto brasileiro”, parte deste livro da autora Daniela Arbex. Neste livro-reportagem fundamental, a premiada jornalista Daniela Arbex resgata do esquecimento um dos capítulos mais macabros da nossa história: A barbárie e a desumanidade praticadas, durante a maior parte do século XX, no maior hospício do Brasil, conhecido por Colônia, situado na cidade mineira de Barbacena. Vou falar mais um pouco sobre o famigerado “trem de doido” uma figura hitleriana contra os Judeus de todo o mundo...

TREM DE DOIDO: Sem qualquer critério para internação, os deserdados sociais chegavam a Barbacena de trem, vindos de vários cantos do país. Eles abarrotavam os vagões de carga de maneira idêntica aos judeus levados, durante a Segunda Guerra, para os campos de concentração nazista de Auschwitz, na Polônia. Os considerados loucos desembarcavam nos fundos do hospital, onde os guarda-freios desconectava o último vagão, que ficou conhecido como “trem de doido” (nos anos 40 em um destes vagões estava meu pai José Oswaldo de Souza conhecido com Major).

A expressão, incorporada ao vocabulário dos mineiros, hoje define algo positivo, mas, na época, marcava o início de uma viagem sem volta ao inferno. Wellerson Durães de Alkmim, 59 anos, membro da Escola Brasileira de Psicanálise e da Associação Mundial de Psicanálise, jamais esqueceu o primeiro dia em que pisou no hospital em 1975. Eu era estudante do Hospital de Neuropsiquiatria Infantil, em Belo Horizonte, quando fui fazer uma visita à Colônia ‘Zoológica’ de Barbacena.

Tinha 23 anos e foi um grande choque encontrar, no meio daquelas pessoas, uma menina de 12 anos atendida no Hospital de Neuropsiquiatria Infantil. Ela estava lá numa cela, e o que me separava dela não eram somente grades. O frio daquele maio cortava sua pele sem agasalho. A metáfora que tenho sobre aquele dia é daqueles ônibus escolares que foram fazer uma visita ao zoológico, só que não era tão divertido, e nem a gente era tão criança assim. Fiquei muito impactado e, na volta, chorei diante do que vi.

QUEM VAI PAGAR PELA BARBÁRIE?

A cidade de Barbacena ignorou isso por muito tempo, ate tentou apagar esta historia triste de sofrimentos, mortes e torturas, mas o certo é que se faturou muito dinheiro com a indústria da morte.

Hoje se criou o museu da loucura, mas vive fechado para reforma, agora pergunto, reforma? Ou para encobrir uma historia de assassinatos por encomendas? Pois se alguém quisesse ficar livre de uma pessoa sem escrúpulo nenhum eram enviados no chamado trem de doido (que hoje entre os mineiros, esta verdade triste de sofrimentos de famílias virou motivos de piadas insensíveis de botequim). A pessoa que era levada de lá não mais saia, pois aquela viagem era sem volta...

REFORMAR O QUE?

Reformar o que? Não se reforma uma historia de vida ceifada da sociedade, de quem é a culpa? Quem vai pagar por isto? Holocausto brasileiro: 60 mil morreram em manicômio de Minas Gerais: Hospital Colônia de Barbacena. Crédito: Geração Editorial/divulgação. Foram pelo menos 60 mil mortes no hospício, onde apenas 30% dos “pacientes” tinha diagnóstico de doença mental.

A maioria dos internos fazia parte de minorias excluídas do convívio social, como epiléticos, mendigos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, meninas grávidas violentadas ou que perderam a virgindade antes do casamento. A instituição foi criada em 1903 com 200 leitos, e alcançou a marca de cinco mil pacientes na década de 1960...

NOTA: O hospital foi construído na antiga fazenda da caveira, que pertencia ao conhecido na historia brasileira como o delator dos inconfidentes; Joaquim Silvério dos Reis; como vemos por isto que começou bem o campo de concentração no Brasil. Esta historia é em memoria do meu já falecido pai José Oswaldo de Souza o 'MAJOR' que sofreu humilhações terríveis...

Muitas pessoas pensam que tudo isto são fantasias e imaginações, vivem em seus jardins floridos que não imaginam e se esquecem de que nos jardins floridos da vida tem espinhos e estrumes, sujeiras e sofrimentos, e animais peçonhentos transvestidos de jardineiros, por: Maurílio Souza; filho do homem que tinha o apelido de Major meu grande herói da minha vida...

Leia a matéria completa em: Holocausto brasileiro: 50 anos sem punição (Hospital Colonia) Barbacena-MG – Geledés Follow us: @geledes on Twitter | geledes on Facebook

http://www.academia.edu/5835399/Daniela_Arbex_-_Holocausto_Brasileiro_Vida_Genocidio_e_60_Mil_Mortes_no_Maior_Hosp%C3%ADcio_do_Brasil

http://www.academia.edu/5835399/Daniela_Arbex_-_Holocausto_Brasileiro_Vida_Genocidio_e_60_Mil_Mortes_no_Maior_Hosp%C3%ADcio_do_Brasil

https://maurilio777.blogspot.com/2015/03/historia-de-meu-pai-diario-de-um-louco.html?spref=fb&fbclid=IwAR0ektjJacbdM2FRF-4-Y5xL2IzyM_6cPSINXUjJ70GS2wV9Ze9CZySdFwc

https://maurilio777.blogspot.com/2015/04/holocausto-brasileiro-em-memoria-de-meu.html?spref=fb&fbclid=IwAR0gBafGYsfpxTHQcS-9vobrLpmZeTZ-e_twuoRLMSZBWn0JYbwtjK3W4EE

 

Deus te abençoe!!! Oswaldo de Souza...


 

A VIDA DE UM BABAQUARA LIVRO ON LINE GRATUITO: A RAZÃO DESTE LIVRO É PARA TRAZER O CONHECIMENTO DESTA NOVA GERAÇÃO A LINGUAGEM DO SERTÃO... POR OSWALDO DE SOUZA ESCRITOR, HISTORIADOR E PESQUISADOR BÍBLICO!!!


POESIA DO MATO NO POEMA DO BABAQUARA:

Nasci no meio da roça em uma casa de palhoça, vivendo no meio do mato caçando ninho do falcão. Abria as porteiras, pulando no ribeirão, hoje moro na cidade com saudade sertão. Colhendo café na sua derriçagem das folheiras, caminhando descalço no meio das batatas e suas leras, plantando tomates e colhendo milho nos milharais. Tomando banho de regador lembranças guardadas com muito amor.

De manhã saia com o carro de boi que rinchava no estradão despertando os colonos para o trabalho no roção que saiam com suas enxadas e pés descalços caminhando na terra vermelha da estrada do boqueirão. No trilhado dos pássaros da sinfonia de canários, coleiros ou bigodinho e pintassilgo na tranquilidade das matas e florestas com seus jacus e siriemas, animais do meio do mato de pelos e penas. Onças e antas, jacarés e capivaras animais de berros e urros de dor que fazem dos efeitos sonoros das matas com seus sons horripilantes e assustador...

O verde das arvores em contrastes com as multicores de pássaros e borboletas criando uma tela de paisagens com o brilho e danças dos matizes e seus amores. O Sol nasce nas campinas soberano e com autoridade se impõe sobre a escuridão trazendo claridade, a noite romântica e cheia de estrelas com sua lua formosa e graciosa com seu bricão inspirando os poetas com suas letras e musicas ecoando na amplidão...

O caboclo da roça chamado de vários nomes e significados construíram e alimentaram este país varonil dos verdes das matas do azul do céu anil. Do amarelo do ouro, nos brancos das nuvens com suas formas e efeitos desenhando os pensamentos com amplidão nos firmamentos...

O Sertanejo Guaco, o Roceiro e Caipira, o Caburé e Araruama, O Arigó e Bugre, o Babaquara e Baicuara, o Biriba e Botocudo, o Bruaqueiro e caburé, não importa o nome do Caiçara ele sempre será o caboclo barraqueiro. Sertanejo um homem diferente de gostos diversos da broa de fubá com café de manhã, do frango com quiabo uma misturada de jiló com abobrinha feito com bambuzá sempre carregada na pimenta da canjiquinha com costelinha. Das comidas sem frescura do angu ao mugunzá...

Das festas do roceiro, dos forros e vaquejadas, das festas juninas com suas quadrilhas e do fole dos sanfoneiros sentados nas estacas. Com suas cantorias nas batidas das latadas, da espingarda do soca-soca dos milhos da broca, das pipocas no caldeirão e do amor no coração. Despede-se com muito amor e sorriso faceiro encantador com a vara de bambu para pescar tucunaré na bocada do ribeirão, no silencio da mata o sono pega o caboclo sonhador abrindo seu bocão.

Com a minhoca de isca e o cipó timbupeva para colocar o pescado no iscado. Eita so que dia bunito e florido no roçado de Paraopeba. Com os peixes no caritó voltando para minha Biboca com minha cama de bambu e colchão de palha, mas antes vou emendar um bigode numa prosa fuxiqueira ate fica meio troncho e dormir no meu terreiro... Inté!!!

O CAIPIRA SONHADOR:

Um homem do campo acostumado com o arado, bom no carteado, que gosta da roça que por Deus foi presenteado, um matuto de rosto amarrado demonstrando estar meio chateado. Um homem de conversa arrastada de fala abreviada de andar com perna alongada, homem do campo que vive na sutileza no meio da mata que exibe sua beleza...

Um simples e humilde que não se define apenas estica um proseado na venda do Seu Joaquim no meio dos sacos de arroz e de feijão segue sua vida em meio ao bordão, se é pra viver do roçado tem que ter o rosto bronzeado que nem os homens do praiado. O matuto sonhador que não esconde sua dor na perda do seu amor que fugiu com o doutor...

Vive na solidão do amargo coração na palhoça de sapé, no colchão de palha de milho desfiado misturado ao capim com barba de bode e crina de animal, onde dorme o matuto abandonado cheio de esperança e fé. Casa simples de picumã de esteira de bambu e barro misturado com esterco para dar a ligação com roseira que serve de enfeite no portão onde esta a carroça amarrada com seu cavalo alazão...

De manhã no trilhar dos pássaros no barulho da bicharada sai o capiau babaquara para o dia no roçado, nas lidas da terra avermelhada que um dia guardara em seu seio o sertanejo guasca de olhos tristes e vida em desamor. Na desembocadura do boqueirão em frente à bocarra do covão na terra de Deus seu criador, despede aqui O CAIPIRA SONHADOR... Inté!!!

VIDA SERTANEJA DO CAIPIRA SONHADOR:

Eu venho do sertão do pé da serra da colheita do algodão, das mãos calejadas e pés cascorentos e empoeirados da lida da roça em seus roçados. Eu venho das colheitas dos cafezais, dos barulhentos vendavais que empurravam os galhos de café riscando meu rosto cheio de marcas e rugas que contam minha historia com riscos e rabiscos de um rosto com feições de cansaço da vida do mateiro.

Eu venho dos banhos das cachoeiras, das braçadas dos rios com aguas caudalosas. Venho das caçadas dos jacus, capivaras, antas e jacarés. Venho dos ninhos dos passarinhos dos coleiros e canarinhos que com seus trilhados fazendo as trilhas sonoras dos rincões de Minas Gerais... Venho dos carros de bois, das retiradas de leite da mimosa vaca amansada nos laço da fazenda Tapera Alta. Venho das pescas de carás e tucunarés das profundas aguas barrentas do açudão. Venho das cercas de taquaras dos bambus cortados no meio que cercam o casebre de taipas.

Venho dos galinheiros dos galos e galinhas carijós, dos galos índio valente por natureza dono do terreno. Venho dos cantares que despertam as matas dos galos galinzes que corriam assustados do galo índio manda chuva do terreirão com seu chão endurecido d e nossos pés descalços dos colonos. Venho das musicas caipira de raiz, das sanfonas e viola caipira que faz os sertanejos chorarem com seus versos e harmonia do amor não correspondido da cabocla mais faceira e formosa do lugar.

Venho das aguas de coité guardadas nas cabaças de barro de argila. Venho dos fogões de lenhas com suas fumaças liberadas nos chaminés de manilhas de barro, venho do arroz com feijão, das farinhadas de mandiocas misturadas ao açúcar que eram nossa sobremesa, doce gostoso e entalador. Venho das coberturas de sapés presos nos cipós nos entrelaçados das esteiras que faziam o forro guardador. Venho dos piados dos jacarés que soavam nos brejos do estradão, venho dos cantos de batráquios com rãs, sapos e pererecas.

Venho das falas arrastadas dos pitos de palhas e cachimbadas na sua fumaça mal cheirosa. Venho da lamparina de querosene que marcavam os olhos e nariz escurecendo os lados dos olhos deixando eles ainda mais tristes das prosas que contam a VIDA SERTANEJA DO CAIPIRA SONHADOR... Inté!!!

HISTORIA DO ROÇADO; MEU COLCHÃO DE PALHA:

Sou filho com muito orgulho de um casal que viveu grande parte de sua vida na roça, meu pai era o que chamavam de candeeiro (Pessoa que vai a frente da boiada ou carro de boi levando uma candeia para iluminar o caminho) de boi e seguia como guia a frente da boiada na difícil arte de conduzi-los...

Minha mãe era o que chamavam de apanhadores de café que era um serviço sazonal nas colheitas de café desde sua remota infância, não tinha bonecas e sim o trabalho duro da mulher do campo e que trabalhava nos roçados derriçando os grãos de café no chão com as mãos ferindo com cortes e picadas mãos já calejadas da dura vida...

Meu pai é originário de um arraial chamado boa Vista onde viveu sua infância lidando com os animais fazendo o duro trabalho de peão e candeeiro, levantando ainda de madrugada para a primeira ordenha das vacas... Minha mãe originaria de um arraial de negros um antigo quilombo, uma terra Quilombola que ficava em um lugar escondido e de difícil acesso chamado Bocaina de Botafogo onde lidava com a dureza do campo... Os dois lugares fica hoje próximo a uma cidade mineira chamado Tabuleiro, cujo cemitério abriga os restos mortais de minha irmã de criação Gení que amava muito e foi um grande sofrimento ao saber de sua morte prematura aos 23 anos de idade...

No dia do meu nascimento em uma época que era difícil sobrevivência infantil, ao nascer meu primeiro presente foi um pequeno colchão de palha de milho de origem caseira onde minha mãe confeccionou com barbantes e panos de saco de linhagem de fibras de juta que eram usados para armazenar os grãos do milho... Como não tinha cama colocaram dois cavaletes de madeiras rusticas e em cima do rustico artefato colocou uma meia porta velha de madeira pequena onde abrigou meu pequeno e saudoso colchão de palha de milho.

Neste berço de cavalete e uma meia porta velha simples e humilde desenvolveram meus primeiros sonhos de uma vida melhor, tenho o costume dizer o que a vida me deu hoje é muito mais do que recebi ao nascer; um pequeno e rustico colchão de palha. Portanto: seja fiel no pouco e sobre muito Deus te colocara Mateus 25:21...

A ordenha significa tirar o leite, ou seja, é o lucro da atividade leiteira. Esse ato deve ser feito sem paradas, com os tetos limpos e secos em um ambiente asseado, tranquilo, sem umidade e longe de outros animais. A colheita do café, que eram os principais produtos brasileiro de exportação geralmente depois dos escravos era colhidos pelas crianças e mais idosos, um processo doloroso e hostil para as mãos.

Os colchões de palha de milho eram os mais modestos. Qualquer casa tinha sua plantação de milho. Comidos os grãos usava-se a palha e geralmente era trocadas as palhas periodicamente. Ao se mexer as palhas faziam um barulho inconfundível nos riçados dos artefatos. Cem anos após a abolição formal e inconclusa da escravidão, os quilombolas finalmente conquistaram o direito à terra na Constituição Federal de 1988. Enquanto, dados da Fundação Cultural Palmares indicam oficialmente a existência de 2.648 quilombos no Brasil algumas não são oficiais deixaram de ser dos negros abrigando os brancos misturados...

A ARTE DO ENVELHECER:

Velho amigo não se entristeça, por que entristecer? Não se preocupe se alguém te chama de velho, para que se preocupar. Não se sinta humilhado por ser deixado de lado, para que se humilhar? Envelhecer é uma arte, a arte de viver bem. Sem importa-se com o tempo, com o cansaço da vida. Se alguém te chamar de velho. Faça como o poeta sai cantando...

Agradeça os anos de sabedoria. As rugas que escrevem em seu rosto, as marcas de lutas e vitória. Marcas o que são marcas? São só escritas de uma vida, marcas dos choros e sorrisos. O cansaço, as pernas lentas, o olhar obscurecido. As dores pelo corpo, a visão perdidas pelos anos. O que são? São apenas amostras dos sentimentos, nas saudades, dos ressentimentos, do abandono...

Lembre-se cada dia que passa na sua velhice, você esta mais perto de Deus que te aguarda no longo abraço. Cada ano mais se aproxima tua eternidade, preparada antes da fundação do mundo... Pois agora como a lira rouca de um soneto de batráquios nos sons das taquaras sendo rachadas e divididas ouço minha voz embargada e embaçada pelo tempo... Contei o tempo que foram se multiplicando aos dias formando os anos de minha sobrevivência e existência em momentos inconstantes do meu viver.

A velhice é como um tronco ressequido onde um dia abrigou flores, folhas e frutos, hoje são encostados nos cantos da vida, mas que logo renovarão seus cachos em um lugar onde os tempos e idades cessam e não serão mais contados como nossos inimigos.

LEMBRANÇAS DO MATUTINHO FELIZ:

(CRÔNICA SAUDOSA DOS CARROS DE BOI)

Quem viu, viu quem viu de forma nenhuma vai ver uai o carro de boi chiador. Com suas formas rústicas da roça seguindo pelo estradão. O boi atrelado nos esteios maciços de madeira hostil. O carro de boi lá vai, com seus bois de carreira, também chamado boi de cabeçalho puxando com sua força o carro pesado com suas rodas gemendo pela estrada poeirenta do roçado.

Ladeira que vem ladeira que vai carreiro gritando gerando uma harmonia de som e gritos e gemidos do rodão de Cabreúva que é a parte do centro também chamada meião e lateralmente se limita com as duas cambotas, originando o apelido das pernas arqueadas dos colonos abestados. O meião, perto das cambotas, tem sempre dois buracos, o bocão, ou oca, que é para o som criar força e ecoar.

Com seus cânticos singelos e saudosos com o carreiro empunhando o varão que com seus estalos apressa o boi velho cansado que disputa suas forças com o novilho novo e metido em suas pernas da juventude animal. O boi novo vai o boi velho segura o trote arrastado e nesta disputa de idades mantém a sequencia do carreirão. O chumaço que era feito de canelão mantém a harmonia das cantigas da roça sem distinção.

Sem muitas rimas do contado levo no meu coração as lembranças da minha mente do matuto cansado que não viu o tempo passar nas mudanças dos anos que apagam nas sutilezas dos matrizes. Os carros que cantam sem cargas apenas um melodia ouvida e de boas lembranças pedem o óleo de copaíba que servem também para curar com seu teor medicinal cicatrizante por sua ação. O balsamo de copaíba que cessa o grito do carrão e apaga o grito de dor das feridas das cangas e mazelas do matutão.

Sou mineiro de nascença e roceiro de coração homem simples da cidade arrancado de sua sina mateira, lembrando-se do que não viveu apenas favas contadas perto das fogueiras da fazenda do Taperão. Olhos lagrimejados da saudade do pai sanfoneiro por sua cultura no doce som dos acordeons que ouvia, quem ouviu, ouviu, mas quem não ouviu não houve mais os acordes do meu velho progenitor e protetor.

Para terminar esta crônica faceira que dá saudade no capiau, Existe no carro de boi a vara de ferrão, de carrapateiro, na frente leva ponteiro de ferro na ponta do ferrão que, antes de ponta dava origem ao espeto das abelhas, com seu furo com duas argolas de ferro, que chacoalham e, assim, o boi já sabe que lá vem cutucão e desamua no efeito do amuar, ou arranca mais o seu trote marrento. Carreiro bom não espeta boi de tirar sangue. Só ponteia, nas lágrimas perdidas no poeirão despede o mineiro caladão com saudade do matão.

VIDA NA CIDADE CORAÇÃO NO MATO DE UM MATUTO SONHADOR:

Eu sou um caipira, um matuto nascido na cidade, sou um caboclo quieto que tem no coração as maravilhas do sertão. Eu jamais vou negar minha raiz, pois sou filho de uma colhedora de café nascida em botafogo arraial distante próximo a tabuleiro lugar de colonos e escravos fugidos, minha mãe tinha as mãos calejadas de olhos negros tristes na verdade muito triste mulher de cara amarrada seria e sisuda por natureza, trabalhadora que lavava roupa na tina com sabão esfregado naquelas mãos pequenas e firmes, estendendo a roupa no varal que dizia que era para guarár.

Meu pai um homem trabalhador que candeava bois pelos caminhos duros de minas gerais, homem bom quieto de pouca fala que gostava da sua velha e surrada sanfona que tocava as musicas sertanejas de raiz sempre com os olhos marejados pela saudade do matão e dos tempos no estradão. Meu pai tinha um chapéu e sua botina como companheiros que o acompanhava por aonde ele ia.

Tenho a pele morena talvez seja isso a natureza do meu nome queimada de sol e a essência entranhada de um matuto deslocado, com a cútis marcada pela vida escrevendo no rosto enrugado minha historia, tenho a cor da natureza pintada por Deus nosso criador. Não sou de gravata e nem de bravata apenas um simples, arrancado de seu habitat natural e colocado na frieza da cidade de gente soberba e nariz empinado que desprezavam o homem do mato de pés descalço e fala arrastada por sua beleza com som de taquara rachada em tom de batráquios do brejo.

Minha família vem das lutas matutinas dos voos de pardais, dos cantos dos canários nos trigais e milharais, dos coleiros papando seu capim cantando enrolado no tui tui, é isto que me faz feliz lembrar daquilo que não vivi apenas ouvindo historias de tempos remotos e distantes da roça do meu país.

Não morávamos em uma casa e sim num rancho de taipa com seus buracos que eram moradas das garrinchas bicho esquisito de poucos pios em seus giros rodopiando como os piões soltos pelas cordas, se me perguntarem o que me fazia feliz diria que era o cheiro do mato, o despertar do canto do galo despertador natural sem corda e nem bateria basta colocar o milho e o bicho canta feliz, tenho saudade das aguas de cachoeira frias e perigosas seguindo caudalosas e perigosas escondendo em suas corredeiras locas sinistras.

La no mato tudo a noite é silencioso apenas o bater das arvores movidos pelos ventos de outono anunciando tempo de chuvas e temporais, neste momento surgem as estrelas no céu sendo mostrada pelo breu que se estende como um véu, os vagalumes começam a piscar coisa não avistada mais na luz forte da selva de pedra.

Vejo o lumiar da lua dos românticos inebriados pelo seu brilho feliz, sou um caboclo rude tirado do mato e hoje guiado pelas luzes do criador que aponta nas lâmpadas de meus pés que caminho devo seguir caminho para o grande rincão no paraíso eterno guardado para o matuto sonhador cheio de saudade do grotão e roçado do interior.

A VELHA SANFONA DE OITO BAIXAS:

Esta vendo aquele homem? Com um olhar triste fixado no horizonte com os lombos encurvados pelo cansaço da vida e lida, andar lento com passos arrastados de quem já sofreu e trabalhou incessantemente pelo pão de cada dia. Uma voz de taquara rachada, embaçada e rouca que tanto me ensinou o caminho certo a seguir, tantas historias contadas aos longos dos anos onde eu deitava em seu colo com um olhar feliz e deslumbrado com suas estórias de reis e príncipes...

Agora ele pega a velha sanfona e toca divinamente naquele pequeno e surrado instrumento a velha sanfona de oito baixas que expressa às tristezas e amarguras do velho Jeca. Sua musica preferida chamava-se saudade do matão e o som com harmonia e graça enchia todo o nosso quarto, meu olhar de orgulho e admiração mirava naquela face cheia de rugas que escrevia em seu rosto uma vida de lutas e sofrimentos, agora o velho sanfoneiro com seus olhos rasos d’água tocava nas teclas pequenas do instrumento para contar suas magoas e saudades...

Aquele homem valoroso de mãos calejadas pelo duro trabalho da lida pegava nas horas de folga os velhos guardas chuvas dos vizinhos para consertar e reformar costurando seus panos (tecidos) com aquela calma que lhe era peculiar, trocava as varetas, reformava os cabos, trocava os gatilhos e as ponteiras (quando estouravam). De repente não mais que de repente ajeitava o seu velho chapéu de couro dos tempos que candeava boi pelas estradas empoeiradas da roça, meu pai saia para o velho carteado com os amigos...

Sentado ao entardecer ao lado do portão de madeiras a sombra da grande trepadeira com seu sombreado, rosto ansioso os olhos de criança voltados para a entrada da rua chamada do meio da fazenda Tapera Alta. De repente ao entardecer surgia aquele homem cansado de mais um dia de labuta carregando seus baldes cheirando a leite. Neste momento aquela criança corria com suas pernas pequenas ao encontro daqueles braços entre sorrisos e abraços de alegria estendia a pequenina mão e na mesma hora recebia uma pequena moeda trocada por doces e balas. O velho homem estava de volta ao lar...

À noite aquele velho homem ligava seu rádio antigo que logo soava o seus sons de violas e cânticos sertanejos embalando a harmonia da família o velho lampião de querosene era aceso com seu peculiar isqueiro de pedra e o lampião soltava sua fumaça preta enchendo o cômodo de chão batido com aquele cheiro de óleo. O silencio enchia a casa começava a radionovela que todos amavam e ao som das ondas sonoras do velho radio contava a estória do Jerônimo o herói do sertão que contava as lutas contra o crime do valente sertanejo e seu amigo o fiel Saci. Quando terminava o dia a luz do velho lampião era soprada e a escuridão tomava conta do velho casebre de pau a pique...

Esta vendo aquele velho homem sanfoneiro com sua velha sanfona de oito baixas na mão? Este homem é meu pai...

UM DIA DE CHUVA:

Um belo dia de chuva com suas águas caindo molhando as flores renovando a força da natureza que agora se alegra com os pingos de vida que caem do céu. Águas límpidas e puras que caem de Deus que não voltarão a tornam-se nuvens sem antes cumprir sua missão, mais uma vez a natureza rejuvenesce suas cores com seu verde cheio de esperança e amor...

Neste momento abro minha janela lembrei-me das minhas primeiras chuvas com seu cheiro petricor (nome do cheiro das águas molhando a terra), em um tom de saudade, pois um dia contemplava as águas caindo e perguntei por que elas caem? Neste momento numa lembrança de tua voz de batráquio lembrei-me de sua resposta. Embora muitos não gostassem da chuva elas são fundamentais para a terra, ajudam no desenvolvimento de diversas formas de vida...

Aprendi que a chuva é um fenômeno da natureza agindo da seguinte forma; a água aquecida pelo sol se torna em vapor que se misturam com o ar e sobem, tornando-se nuvens carregadas de vapor, ao atingir altitudes elevadas ou encontrar massas de ar frias, o vapor de água condensa, transformando-se novamente em água; Como é pesada e não consegue sustentar-se no ar, a água acaba caindo em forma de chuva...

Portanto o grande milagre da natureza aponta para um criador que renova a terra com suas águas em um sistema natural comandado por suas ordens.  Um Deus que também renova nossas vidas com uma chuva de bênçãos operando um milagre de renascimento cumprindo suas promessas de renovos para nossas vidas com suas águas transformadora e carregada de esperança e amor celestial...

OSVALDINHO O MENINO CANDEEIRO DO ROÇADO:

O sol surge no horizonte com seu brilho ainda tímido naquela invernada, o pequeno Osvaldinho acorda sonolento assopra o fogo do velho lampião cuja fumaça preta de querosene deixava marcas pretas em seu rosto juvenil de menino prosa e faceiro com seus doze anos, agora ele levanta para suas tarefas e a difícil labuta da família Souza, gente simples e humilde que vivia naquele rincão do pequeno arraial de Boa Vista...

O pequeno retireiro inicia seu duro serviço ajunta as vaquinhas amarra as pernas para não levar um coice da vaca malhada cujas tetas cheias são preparadas para a primeira ordenha do dia, naquela fria manhã com seus ventos cortantes o menino Osvaldinho grita; sossega malhada, pois preciso tirar seu leite...

As seis grandes leiteiras com seus vinte litros são colocadas por aquele menino Osvaldinho, catraio magrinho de braços fortes suspende os vasos de leite sobre as soleiras de madeira do carro de boi atrelado com o Mimoso do lado direito e o outro boi de chifre comprido com nome de vaca o Estrela do lado direito.

Naquela manhã do roçado sai o carro de boi cujas rodas grandes e pesadas com suas vassouras o pequeno arbusto que servia de um lubrificante cuja seiva no atrito liberava um óleo natural exprimido entre os eixos...

Na cálida e silenciosa manhã o barulho da carroça acorda os colonos e caipiras com seu barulho e rangido como se fosse um grito do pequeno menino caminhando entre os roçados. O candeeiro pequeno e frágil grita vamos Mimoso, sossega Estrela, os pássaros começam sua alvorada com seus cantos trilhados começando o dia dos bandos em suas revoadas...

O caipira caminha pelas estradas empoeiradas de terra vermelha do sertão. Com seus pés descalços e cascorentos José Osvaldo de Souza nome dado pelo seu velho pai. O menino agora atinge seu alvo chega ao seu destino o armazém do Seu Maurílio; que nome demais de bonito e diferente soo, pensa o pequeno bacuri...

A vida em sua roda continua sem barulho diferente daquele carro de boi do pequeno Osvaldinho leva o menino quarenta anos depois para uma casa de pau a bique e chão batido de um remoto lugar chamado Fazenda Tapera Alta. Osvaldo homem feito diferente daquele pequeno caipira candeeiro das juntas de bois Mimoso e Estrela.

Escuta o choro do seu décimo segundo filho um choro alto e trilhante que quebra o silencio daquela noite quase natalina o senhor Osvaldo pega a pequena criança em seus braços e agora viaja em suas lembranças do velho armazém e grita com satisfação seu nome será chamado Maurílio que nome mais bonito soo...

Fala em um grito miúdo a velha parteira que sem estudo nenhum colocou no mundo muitas crianças. E ali naqueles braços paterno o menino deixa de chorar agora seguro naqueles braços de amor é colocado em seu berço improvisado de colchão de pano de saco alvejado e palha lugar de muitos grandes sonhos...O guri cujo nome foi registrado uma semana depois se chamava Maurílio Oswaldo de Souza; que nome mais bonito soo. Viveu sem ser famoso, mas com um coração orgulhoso do seu velho pai o menino candeeiro do roçado Osvaldinho...

CORAÇÃO NO MATO DE UM MATUTO SONHADOR:

Eu sou um caipira, um matuto nascido na cidade, sou um caboclo quieto que tem no coração as maravilhas do sertão. Eu jamais vou negar minha raiz, pois sou filho de uma colhedora de café nascida em botafogo arraial distante, mas próximo a tabuleiro lugar de colonos e escravos fugidos. Minha mãe tinha as mãos calejadas de olhos negros tristes na verdade muito triste mulher de cara amarrada seria e sisuda por natureza, trabalhadora que lavava roupa na tina com sabão esfregando naquelas mãos pequenas e firmes, estendendo a roupa no varal que dizia que era para guará.

Meu pai um homem trabalhador que candeava bois pelos caminhos duros de minas gerais, homem bom quieto de pouca fala que gostava da sua velha e surrada sanfona que tocava as musicas sertanejas de raiz sempre com os olhos marejados pela saudade do matão e dos tempos no estradão. Meu pai tinha um chapéu e sua botina como companheiros que o acompanhava por aonde ele ia... Tenho a pele morena talvez seja isso a natureza do meu nome queimada de sol e a essência entranhada de um matuto deslocado, com a cútis marcada pela vida escrevendo no rosto enrugado minha historia, tenho a cor da natureza pintada por Deus nosso criador.

Não sou de gravata e nem de bravata apenas um simples, arrancado de seu habitat natural e colocado na frieza da cidade de gente soberba e nariz empinado que desprezam o homem do mato de pés descalço e fala arrastada por sua beleza com som de taquara rachada em tom de batráquios do brejo... Minha família vem das lutas matutinas dos voos de pardais, dos cantos dos canários nos trigais e milharais, dos coleiros papando seu capim cantando enrolado no tui tui, é isto que me faz feliz lembrar daquilo que não vivi apenas ouvindo historias de tempos remotos e distantes da roça do meu país.

Não morávamos em uma casa e sim num rancho de taipa com seus buracos que eram moradas das garrinchas bicho esquisito de poucos pios em seus giros rodopiando como os piões soltos pelos cordéis. Se me perguntarem o que me fazia feliz diria que era o cheiro do mato, o despertar do canto do galo despertador natural sem corda e nem bateria basta colocar o milho e o bicho canta feliz. Tenho saudade das aguas de cachoeira frias e perigosas seguindo caudalosas e perigos escondidos em suas corredeiras e locas sinistras...

La no mato tudo a noite é silencioso apenas o bater das arvores movidas pelos ventos de outono anunciando tempo de chuvas e temporais, neste momento surgem às estrelas no céu sendo mostrada pelo breu que se estende como um véu, os vagalumes começam a piscar coisa não avistada nas luzes fortes da selva de pedra da cidade. Vejo o lumiar da lua dos românticos inebriados pelo seu brilho feliz, sou um caboclo rude tirado do mato e hoje guiado pelas luzes do criador que aponta nas lâmpadas de meus pés que caminho devo seguir.

Caminho para o grande rincão no paraíso eterno guardado para o matuto sonhador cheio de saudade do grotão e roçado do interior...

IGREJA PEQUENA DO MATUTO SONHADOR:

A igreja no pé da serra aonde ia o irmão chorão, era chamado assim, pois orava e chorava aos pés do Senhor Jesus Cristo. Quanto tempo se passou a saudade que ficou dos hinos que cantava da harpa cristã surrada do pastor matuto que falava nóis vai e nóis fica, pastor simples de chinelo de dedo nos pés e a palavra no coração. Agora na cidade o irmão chorão lembra com saudade da igreja do Boqueirão no pé da serra. Lembra com saudade e seu coração chora quando vai chegando à noite onde não via a hora chegar para ir para a pequena igrejinha adorar ao Deus dos símplices e humildes.

E quando chegava ele olhava para o altar e as lágrimas já começavam a rolar no momento sublime e feliz do matuto sonhador. Lembra da cruz, lembra do amor e gritava feliz obrigado meu Senhor. O matuto agora em suas lembranças vê seu pastor humilde cabisbaixo meditando na pregação preparada no coração de Deus que recebeu como revelação com sua enxada na mão. A igreja calada olhando para seu pastor com os olhos de sofredor semeando chorando aguardando seus feixes com amor. A primeira igrejinha, o primeiro amor do irmão chorão sonhador.

Mãos calejadas que carregava sua bíblia surrada, aguardando as ruas de ouro no paraíso celestial onde todos serão príncipes e doutores no seu lar celestial do seu Senhor. Adeus vida sofrida do cabo do cambangu (enxada), adeus chinelo de dedo, adeus roçado de suor, agora vive feliz o matuto no seu eterno penhor recebido do seu Deus de amor... QUANDO VOCÊ PENSA EM IGREJA O QUE VEM EM SUA MENTE: A IMPONÊNCIA DOS TEMPLOS FARAÔNICOS? OU NA SIMPLICIDADE E HUMILDADE DE UM POVO? IGREJA NÃO SÃO TEMPLOS E SIM PESSOAS!!!

ONDE NASCI CRÔNICA SERTANEJA:

Nasci em uma casa de pau a pique taquarada e betumada com barro de argila. Nasci em uma casa de chão batido com portas cortinadas. Nasci em uma casa alumiada de lampião de querosene. Nasci em uma casa de poço de agua no fundo do quintal com corda e carretilha atrelada em um balde, onde banho era em bacia e no final de semana com chuveiradas de regador. Nasci em uma casa de fogão de lenha com seus cavacos e lenhas abrasadas cozinhava o feijão, onde a broa de fubá era assada no lume e com brasas em sua tampa. A chaminé com sua fumaça quente saiam por uma manilhada.

Nasci em uma casa onde quintal era o habitat natural da bicharada que viviam harmonizados; galos e galinhas, cachorros e gatos, porcos e cabritos, marrecos e patos. Nasci em quintal com arvoredos frutíferos; Mangueiras, abacateiros e goiabeiras faziam os ornamentos da natureza e alegria das criançadas. Nasci em uma casa de rádio emparedado na altura de meu pai, com vitrolas com suas musicas românticas que faziam as trilhas sonoras de nosso lar; Cauby Peixoto, Orlando Silva, Marlene, Emilinha Borba e Ângela Maria chamados os cantores reis e rainhas das ondas sonoras radiofônicas.

Nasci em uma tapera com bancos duros de madeiras de lei, com as divisas sem cercas e muros sem fronteiras das vizinhadas com uns cuidando dos outros compartilhando alegrias e tristezas. Nasci na simplicidade de uma casa, na humildade de seus moradores na construção de um lar em pleno amor habitado nos corações de seus moradores, ouvidos nos trilhados dos pássaros e refletidos nos olhos marejados cheios de recordações e saudades de seus matutos sertanejados!!!

Deus te abençoe!!! Oswaldo de Souza...