MENSAGEM DA CRUZ

MENSAGEM DA CRUZ
ESPAÇO LITERARIO SOBRE A MENSAGEM DA CRUZ :

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

DA ENXADA AO MOSQUETÃO. HOMENAGEM AO PRACINHA BRASILEIRO: (CRÔNICA MAURÍLIO SOUZA)...


Ele era um homem que vivia no roçado, mãos calejadas da enxada sua companheira diária de sol a sol, saia pela manhã com sua marmita presa ao embornal semeando aquilo que seria o alimento das casas de seu povo, mãos marcadas pelas feridas do cafezal, homem simples e mateiro. Conhecia todas as plantas e arvores nativas de sua região, homem bom, hospitaleiro e trabalhador que carrega em si a honestidade aprendida pelo seu velho pai, que recebia um beijo na mão e um sonoro “bença pai” que era respondido com um “Deus te abençoe”, pelo ancião matuto que um dia desbravou aquelas terras.



Mas um dia os pés descalços foram trocados pela dura botina do exercito e sai o roceiro largando sua dura lida diária trocada a enxada pelo mosquetão e  pelos estridentes ruídos dos canhões. Não conhecia carro e nem avião viaja para uma terra longínqua longe dos seus troca a moringa ou o coité pelo cantil, troca sua enxada pelo fuzil logo ele aquele homem sereno e calmo de fala arrastada que nunca matou um animal que não fosse para comer.

Não é chamado mais pelo nome ou apelido dos cafezais e roçados agora é chamado por o pracinha Brasileiro, ou pelo numero de sua surrada e agora suada gôndola seu blusão grande e mal cortado, mas o suor não é mais da lida do campo arado, pois agora esta no campo hostil de uma guerra  que não era a sua cheia de violências era o lugar de sua luta pela sobrevivência.


Carregava em seu embornal um pouco da terra vermelha do lugar onde nasceu e viveu que um dia espera voltar, onde nas horas de saudades segurava aquela terra e olhava para apagada foto do seu velho pai, que todos os dias aguarda a sua volta sentado nos degraus de entrada com o rosto triste e saudoso encostado na soleira da porta. 


Numa manhã de bombardeio nosso desconhecido herói é atingido e vê seu sangue misturar com a terra que não era a sua, beija a foto do velho pai segura em sua mão calejada agora suja de seu sangue que mistura a sua verdadeira terra, a terra de seu lugar o velho roçado. Neste momento longe dos seus ele dá o seu ultimo suspiro e morre o pracinha brasileiro soldado 394 do batalhão de infantaria. 


Alguns dias se passam e seu velho pai não recebe o seu filho de volta e sim uma bandeira que o pracinha Brasileiro dignificou até a morte, a mesma bandeira queimada, pisoteada e desonrada por muito políticos corruptos e sem caráter de nossa ignorante atualidade...

Deus te abençoe!!! Maurílio Souza...



Um comentário:

  1. Emocionante... Linda História... Já Conhecia...
    Nossos governantes deveriam dá mais valor a nossa bandeira
    e não ao dinheiro...

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