MENSAGEM DA CRUZ

MENSAGEM DA CRUZ
ESPAÇO LITERARIO SOBRE A MENSAGEM DA CRUZ :

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

TRIGESSIMA QUARTA LIÇÃO SEMINÁRIO BÍBLICO: POR MAURÍLIO SOUZA ESCRITOR E HISTORIADOR BÍBLICO!!! ESTUDO DOS LIVROS DE ESDRAS E NEEMIAS:


O AUTOR: Não se sabe quem juntou na presente forma os documentos reunidos em Esdras e Neemias. Apesar de uma antiga tradição afirmar que um único autor escreveu os livros de Crônicas, Esdras e Neemias, é consenso entre os estudiosos de que o historiador que escreveu as Crônicas provavelmente não tenha sido o autor de Esdras e Neemias. Mas conforme as tradições judaicas, Esdras é o compilador dos livros de Esdras e Neemias.

UM ÚNICO LIVRO: Esdras e Neemias formavam originalmente um único livro composto por uma variedade de fontes históricas, inclusive pelas memórias pessoais dos dois livros. O historiador do 1º século d.C. Flávio Josefo e o Talmude judaico referem-se ao livro de Esdras, mas não a um livro de Neemias à parte.

Os manuscritos mais antigos da Septuaginta também apresentam Esdras e Neemias num só livro. - Na Vulgata Latina, Jerônimo - seu tradutor chamou Neemias de Segundo livro de Esdras. As traduções em inglês empreendidas por Wycliffe (1382) e por Coverdale (1535), também chamavam Esdras de 1° Esdras e Neemias de 2° Esdras. A mesma divisão apareceu pela primeira vez num manuscrito hebraico de 1445.

QUEM FORAM ESDRAS E NEEMIAS? ESDRAS: Sacerdote e escriba judeu. A história dele começa quando o rei persa Artaxerxes, no ano de 458, resolve enviá-lo para Jerusalém com o fim de instalar administradores e juízes por toda Judá (Ed 7). Assim que chega em Jerusalém ele tem de resolver uma questão sobre casamentos mistos que havia entre o povo (Ed 9 e 10).

Esdras como sacerdote e escriba perito na Lei de Moisés, é mais conhecido pela leitura da Torá para a comunidade judaica e pelo Reavivamento consequente (Ne 8.1-12). Em virtude de sua linhagem levítica, acredita-se que Esdras fosse um tipo de secretário ou conselheiro de assuntos judaicos no gabinete real (Ed 7.1-6).

Diz a tradição que Esdras foi o fundador da sinagoga, que surgiu durante a permanência dos judeus no cativeiro. Visto que o templo fora destruído e o povo espalhado, precisavam de um lugar para a adoração ao Senhor. A tradição o aponta como presidente de um conselho de 120 homens que estabeleceram o cânon do Antigo Testamento.

NEEMIAS – Filho de Hacalias, da tribo de Judá, e provavelmente da casa de Davi. É provável que Neemias tenha nascido no cativeiro. Aparece pela primeira vez em Susã, o principal palácio dos reis da Pérsia, onde exercia o cargo de copeiro do rei Artaxerxes Longímano (455 a.C.). Hanani, seu parente, havia chefiado uma caravana de judeus libertos da Babilônia de volta a Jerusalém; ao retornar do antigo território de Judá, descreveu a Neemias a deplorável condição dos seus compatriotas.

Ele ficou muito consternado. Neemias é lembrado pela habilidade administrativa demonstrada em organizar a comunidade para reparar e reconstruir grande parte do muro de Jerusalém destruído pelos babilônios em 587 a.C. Esdras e Neemias foram reformadores contemporâneos do período pós-exílico.

Como seus antecessores, Ageu e Zacarias, eles tiveram ministérios complementares em Jerusalém de natureza física e espiritual. Ambos foram de Susã, na Pérsia, para Jerusalém durante o reinado de Artaxerxes I (464-424 a.C)...

DATA E OCASIÃO: Os dois livros podem ser datados no período entre 430-400 a.C. As narrativas foram escritas para encorajar os judeus que haviam retornado do exílio, revelando-lhes que, embora Israel ainda estivesse sob o domínio persa, o seu Deus soberano estava dando prosseguimento à sua obra redentora e restabelecendo o culto verdadeiro entre eles.

TEMA: Os livros registram que Deus cumpriu as promessas feitas aos profetas, ao fazer regressar seu povo do cativeiro. Relata a restauração material, moral e religiosa da nação depois do cativeiro. A fidelidade de Deus é contrastada com a infidelidade do povo. Pouco tempo depois de terem regressado à sua pátria, cercados de várias promessas divinas, o povo se deixou influenciar pelos inimigos e interromperam temporariamente a reconstrução da Casa de Deus (Ed 4.24).

Para animar o povo, Deus levantou Ageu e Zacarias (520-518 a.C.) com a promessa que: A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos - (Ag 2.9). Mesmo assim a obra é embargada e só retomada a construção com a vinda de Esdras em 458.

ESFERA DE AÇÃO: O livro de Esdras registra dois períodos distintos: do capítulo 1 ao 6 transcorrem cerca de 23 anos, iniciando pelo decreto de Ciro, rei da Pérsia (538 a.C) permitindo o retorno do primeiro grupo de exilados à Jerusalém, sob a liderança de Zorobabel para a reedificação do Templo. Há um intervalo de quase 60 anos entre os fatos narrados nos capítulos 6 e 7.

Em 458, outro grupo de exilados, liderados pelo escriba Esdras retorna a Jerusalém. Em linhas gerais, os livros relatam a história pós-exílica desde aproximadamente 538 a.C, até depois de 433 a.C. Um período de cerca de 100 anos.

CONTEXTO HISTÓRICO: A Jerusalém de Esdras e Neemias não era muito diferente da Jerusalém para a qual Ageu e Zacarias profetizaram setenta anos antes (520-518 a.C. (Ed 5.1,2). O segundo templo era muito inferior ao prédio magnífico erguido por Salomão (Ed 3.12).

Em vez de inspirar a esperança da restauração na comunidade, ele servia apenas de monumento das expectativas messiânicas frustradas pela realidade do domínio medo-persa. De fato, a promessa de Jeová de tornar Jerusalém emblema entre as nações fora praticamente esquecida, enquanto Judá subsistia sob um império pagão que na época controlava a maior parte do mundo (Ag 2.20-23).

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